sombra
a palavra é uma deambulação oblíqua ao outro.
uma afirmação de insustentável solidão. o
vazio tem reverso na palavra que constrói o corpo
na areia da meninice nocturna.
quando te falo dou-te peças para construíres numa
frase o que sou e o que fui. o impossível da tarefa
deixa-me descansada na ilha de pele em que nasci.
se entras, feres. se não entras, os passos ficam mais leves
a cada sílaba. quando já não os vires, não foi deus que
me pegou ao colo, mas eu que disse adeus para dentro de mim.
escrito algures em 2002