December 2, 2007
November 30, 2007

v

Nos teus dedos nasceram horizontes
e aves verdes vieram desvairadas
beber nelas julgando serem fontes.

de Eugénio de Andrade

November 29, 2007
Time is the substance of which I am made. Time is a river which carries me along. But I am time. It’s a tiger, tearing me apart; but I am the tiger.
in Alphaville by Jean-Luc Godard
November 28, 2007

love will tear us apart

ian curtis in control by a. corbjin

When the routine bites hard
And ambitions are low
And the resentment rides high
But emotions won’t grow
And we’re changing our ways,
Taking different roads
Then love, love will tear us apart again

Why is the bedroom so cold
Turned away on your side?
Is my timing that flawed,
Our respect run so dry?
Yet there’s still this appeal
That we’ve kept through our lives
Love, love will tear us apart again

Do you cry out in your sleep
All my failings exposed?
Get a taste in my mouth
As desperation takes hold
Is it something so good
Just can’t function no more?
When love, love will tear us apart again

listen

November 27, 2007

How to break up in 64 easy steps 

ah the life ;)

November 26, 2007
Elle est triste elle fait valoir
Le doute qu’elle a de sa realité dans les yeux d’un autre
En Exil de Paul Eluard
November 25, 2007

What lips my lips have kissed, and where, and why,
I have forgotten, and what arms have lain
Under my head till morning; but the rain
Is full of ghosts tonight, that tap and sigh
Upon the glass and listen for reply;
And in my heart there stirs a quiet pain
For unremembered lads that not again
Will turn to me at midnight with a cry.
Thus in the winter stands a lonely tree,
Nor knows what birds have vanished one by one,
Yet know its boughs more silent than before:
I cannot say what loves have come and gone;
I only know that summer sang in me
A little while, that in me sings no more.

Edna St. Vincent Millay

November 20, 2007

Dream Within a Dream


Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow —
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand —
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep — while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

de Edgar Allan Poe 

November 16, 2007

os nomes

Há um tempo em que damos estranhos
nomes às coisas.
Por exemplo, fulgor; por exemplo,
mundo; por exemplo, desejo.
Nomes novos, como na infância
a neve.
Um dia acordas, tens treze,
catorze anos, descobres que estás nu
e tens ao teu lado outro corpo
também despido e menos inocente.
Ao teu ouvido, conivente com a luz
matinal das laranjeiras,
chega um rumor de sílabas roucas
húmidas de desejo.
Como noutros dias, de ramo em ramo,
a neve.


de Eugénio de Andrade

November 9, 2007

I feel I am, I only know I am,
And plod upon the earth as dull and void:
Earth’s prison chilled my body with its dram
Of dullness, and my soaring thoughts destroyed.
I fled to solitudes from passion’s dream,
But strife pursued-I only know I am.
I was a being created in the race
Of men, disdaining bounds of space and time,
A spirit that could travel o’er the space
Of earth and heaven, like a thought sublime-
Tracing creation, like my Maker free,-
A soul unshackled-like eternity:
Spuring earth’s vain and soul debasing thrall-
Bu now I only know I am,-that’s all.


de John Clare (1842)

November 4, 2007

Maria de Medeiros - Eu não sei dançar

(o concerto no ccb foi um pedaço de magia :) )

November 1, 2007
[Flash 9 is required to listen to audio.]

leitura

Quantos caíram neste abismo escancarado sobre o longínquo?

E eu hei-de desaparecer, num qualquer dia do mundo, isso é o mais certo.

Tudo o que foi, e que canta e luta e brilha e quer, há-de ficar paralisado.

Tal como o verde dos meus olhos, e a minha voz terna, e o ouro dos meus cabelos.

Há-de continuar a vida, o seu pão, o seu sal e o esquecimento dos dias

E tudo será como se eu nunca tivesse visto a luz do céu.

Eu, que mudava de expressão como uma criança, só fugazmente irrequieta,

Que adorava o momento em que as achas se animam quando se tingem de cinza,

E o violoncelo, e as correrias, e o repicar dos sinos,

Eu, tão viva e verdadeira, acariciada pela terra!

A todos vós, pouco importa, não faço distinções, próximos e distantes,

Peço-vos uma segura confiança, imploro-vos que me amem

Dia e noite, pela voz e pela escrita, por todos os meus sins sem azedume,

Porque tantas vezes estou tão triste, porque só tenho vinte anos,

Por causa do meu perdão inevitável das ofensas passadas,

Por toda a minha incontrolável ternura e o meu ar demasiado orgulhoso,

E a louca velocidade dos desenlaces, pelo que mostro, pelo que realmente sou,

Ouçam-me, é preciso ainda amar-me porque hei-de morrer.


de Marina Tsvétaieva

(como eu gosto deste poema)

October 31, 2007
October 30, 2007

Depois de Auschwitz


A ira,
tão preta como um gancho,
atinge-me.
Cada dia,
cada Nazi
tomava, às 8:00, um bebé
e salteava-o para o pequeno-almoço
na sua frigideira.

E a morte contempla com olhar casual
e tira o lixo das suas unhas.

O homem é perverso,
digo em voz alta.
O homem é uma flor
que deve ser queimada,
digo em voz alta.
O homem
é um pássaro cheio de lama,
digo em voz alta.

E a morte contempla com olhar casual
e coça o ânus.

O homem com seus pequenos dedos dos pés rosados,
com seus dedos milagreiros
não é um templo
mas um anexo,
digo em voz alta.
Que o homem nunca mais levante sua chávena de chá.
Que nunca mais escreva um livro.
Nunca mais calce seu sapato.
Nem erga mais os olhos
na noite macia de Julho.
Nunca.Nunca.Nunca.Nunca.Nunca.
Digo essas coisas em voz alta.

Peço ao Senhor que não ouça.

de Anne Sexton

(tradução J.T. Parreira)
versão original